Homem-Aranha entre Teias e Arrependimentos

Este texto foi originalmente publicado no Medium.

Hoje li ‘Homem-Aranha: Vidas Paralelas’, uma edição única publicada pela primeira vez em ‘Marvel Graphic Novel’ #46 (março, 1989). A história foi escrita brilhantemente por Gerry Conway e desenhada por Alex Saviuk. É uma arte bastante limpa e elegante.

A trama traça um paralelo — como o próprio nome diz — entre as vidas do personagem-título e seu interesse romântico, Mary Jane Watson, e lida, basicamente, com traumas e máscaras (um tema que ressoa bem forte em mim devido a acontecimentos recentes).

Peter Parker era um jovem órfão criado por tios amáveis. Mary Jane era uma jovem com uma família biológica disfuncional. Conway é um escritor que desenvolveu esta narrativa a partir de rimas visuais e verbais, tratando os personagens como complementares, simbióticos até (huh, fiz uma piada).

Cada um dos protagonistas vivencia seus traumas e arrependimentos e os esconde por uma máscara, tanto metafórica quanto literal. Em anos bons para um, o outro vivia anos ruins e vice-versa.

Peter assume a identidade de super-herói tentando dialogar com a culpa pela perda de seu tio Ben, considerando a si mesmo egoísta por suas distrações, porém com a visão externa do público tratando-o como um grande aventureiro mascarado — coisa que, afinal de contas, ele aprendeu a gostar.

Mary Jane assume a persona de uma garota despreocupada e festeira para que a vida possa continuar, disfarçando seus traumas e relacionamentos tóxicos e sendo vista externamente como uma arrasadora de corações. No final, ela também gostava disso. Não queria preocupar ninguém e lidava com seus episódios traumáticos desta maneira.

Afinal, um encontro às cegas pode dar início a uma nova perspectiva para ambos ou será que o passado voltará mais uma vez para atormentá-los?

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