Bang-Bang à Italiana: Pistoleiro al dente
Esta é uma versão revisada de um texto originalmente publicado no Medium.
A verdadeira história de “Robert Tiro Quente” Molland, de sua ascenção à queda como o pistoleiro mais sanguinário do Velho Oeste.
Robert “Tiro Quente” Molland era o melhor pistoleiro de todo o Oeste. Pelo menos era o que sua mãe, Edith Molland, dizia.
— Dê orgulho à nação, Bobby — ela vivia dizendo. — Arregaça o cu daqueles filhos da puta, irra!
E foi o que Robert fez, seguindo a trajetória do resto de sua família: criminosos depravados que faziam qualquer coisa para rir por último e esfolar aquelas peneiras humanas.
Ele cresceu com esse objetivo e o agarrou, matando qualquer nativo, italiano, francês, chinês, negro, branco […] grego, brasileiro, chileno […] otário, mão de vaca, chefão do crime […] detetive, sueco, canalha […] basicamente qualquer infeliz que estivesse no meio do seu caminho levava um belo de um chumbo no meio da testa. Em 1872 já havia devastado centenas de cidades norte-americanas.
Robert não era flor que se cheire, até porque era impossível sobreviver por tempo o suficiente para dar uma cafungada no homem — relatos dizem que realmente tentaram isso.
No entanto, tudo que sobe — como sua ascensão meteórica no genocídio em massa — deve descer e, no dia 14 de Novembro de 1878, enquanto o pistoleiro dizimava a última cidade do Oeste com a intenção de enfim partir para o resto dos Estados Unidos, deparou-se com o xerife Godofredo Giordano, um imigrante com sangue nos olhos contratado pelo então presidente Rutherford B. Hayes para dar cabo do bandido insano antes que o resto do país fosse pelos ares.
O xerife era bem-vestido e seu senso de honra era tão forte que era possível sentir sua presença inabalável a quilômetros de distância. Um verdadeiro herói. E ali estava ele, no meio da rua deserta, prestes a enfrentar Tiro Quente em um duelo à moda antiga.
— Saque — disse Molland.
— Perché non vieni qui e prendi il mio bottino, visto che è tutto quello che vuoi? — disse o xerife, fazendo um gesto obsceno em sua virilha.
— Quê?
E bangue… um único tiro. Bem no centro da testa de Robert Molland. Um fatídico fim para uma fatídica vida.
Godofredo se aproximou. Deu uma cafungada no pescoço do falecido Tiro Quente e, em seguida, foi anunciar ao presidente. Os Estados Unidos estavam livres do próprio Satanás.
No epitáfio do bandido:
“Aqui jaz Robert ‘Tiro Quente’ Molland. Morto facilmente por G.G.”, ou, num bom inglês: “Here Lies Robert ‘Hot Shot’ Molland. Easily killed by G.G.”.
A influência do xerife Godofredo Giordano foi tamanha que, em uma semana, crianças já se digladiavam e faziam gestos obscenos umas às outras. Em um ano, citavam Giordano como sua maior inspiração. E mais de um século depois, elas se xingavam em chamadas de áudio, faziam dancinhas virtuais e gritavam: “GG easy, noobs”.
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